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segunda-feira, dezembro 12, 2005
Pôr as mãos na massa

Em 2005, fizeram-se muitas imagens e sons, criaram-se páginas web, fotografaram-se acontecimentos e montaram-se muitas peças de teatro. É normal que assim seja em sociedades como a nossa. Podemos apreciar um concerto, consultar a internet, fruir uma exposição de fotografia ou uma instalação. Durante muitos anos a Fundação Calouste Gulbenkian foi um oásis na oferta cultural em Portugal. Felizmente tem havido a expansão de equipamentos para consumo cultural, o que é positivo. A partir dos anos 90, o Centro Cultural de Belém foi um marco, tal como a Culturgest ou a Fundação de Serralves. Em Coimbra criou-se o Centro de Artes Visuais e, mais recentemente, abriu a Casa da Música no Porto, onde antes, já aí tinha sido criada a Casa da Animação. O Cinanima tem anualmente lugar no Centro Multi-Meios de Espinho. Em Cascais existe um Centro Cultural, como em muitas outras cidades e vilas. Em Serpa há um magnífico anfiteatro, onde tem sido realizado o Doc’s Kingdom, uma iniciativa de divulgação do cinema documental. Almada inaugurou este ano um novo teatro, o que vai dar ao Festival de Joaquim Benite um novo espaço.
Antes das autárquicas, um grupo de pessoas ligadas à cultura considerou que não seria preciso expandir mais a rede de locais de oferta cultural, pois esta seria satisfatória. De facto, haverá ainda alguns desequilíbrios, regionais ou por sector. É muito positivo que os cidadãos tenham locais para consumir, para ver e partilhar as obras de arte, a criação. Mas há outra dimensão que deve ser analisada: a expressão dos cidadãos, individual ou em grupo, pois ocupar o tempo de formas gratificantes é um objectivo de todos. Vale a pena ocupar o tempo na criação de objectos culturais e de análise da vida quotidiana: vídeo, fotografia, cinema, imagem digital, os gestos da criação teatral. Ora, faltam locais onde as populações, nomeadamente os jovens, os idosos, os excluídos ou outros grupos, possam, devidamente enquadrados e utilizando equipamentos colectivos, ocupar o seu tempo de forma criativa. Isso falta como o pão para a boca. E podia não faltar. Há sempre locais que estão ciclicamente a ser apontados como devendo continuar como espaços de cultura, mesmo ao perderem essa função, caso do cinema Europa, no bairro de Campo de Ourique, em Lisboa, por exemplo. Carmona Rodrigues reconheceu recentemente, numa entrevista ao DN, que, no Parque das Nações, falta um espaço cultural. Tudo leva a crer que a colecção Berardo vai ser aí acolhida. Tudo bem! Mas porque será que a cultura é quase sempre a cultura do consumo, do ir ver, do olhar? Não do fazer. Abram-se ao lado lugares onde as mãos e o pensamento se possam aliar. Lembro também o cinema S. Jorge, em Lisboa, outro bom exemplo. É um local de exibição que ainda não encontrou identidade. Instale-se numa parte um estúdio de vídeo, feito com meios modestos, comprem-se algumas câmaras digitais (vídeo e fotografia), faça-se um acordo com quem tem saberes no vídeo, na fotografia, na manipulação de imagem em computador. Ou contratem-se monitores. Abra-se essa estrutura das 9h às 24h. Ponham-se computadores em acesso fácil com programas de tratamento e criação de imagens. Mantenha-se uma pequena sala para exibição de filmes feitos por realizadores portugueses, nomeadamente documentários. Deixem-se os criadores novos, amadores, falar com os antigos. Estimule-se a intervenção de realizadores de cinema ou criadores de vídeo, de documentaristas, de encenadores. Não para fazerem os seus espectáculos, mas para orientarem e ajudarem na criação das obras dos outros, dos amadores, dos cidadãos. Exibam-se os vídeos feitos pelos criadores desta estrutura, convidando os públicos envolvidos nas filmagens. Enfim, programas e projectos não faltarão. A Europa audiovisual como se faz? Com o consumo apenas, ou também com a produção? Como se ajudam os jovens a crescer? Na rua ou a fazer obra útil? O investimento em equipamentos, espaços e recursos para a criação é uma exigência das sociedades modernas.
É uma tarefa para as Câmaras, também. Pensemos um novo Parque Mayer não apenas com teatros, mas com outros espaços de criação.
Aqui e além existem já alguns locais de acesso, ateliers que se organizam, serviços educativos que põem em actividade crianças e jovens, o que é positivo. Mas há um esforço maior a fazer neste domínio e que seria muito útil ao país. É melhor gastar em formação e criação do que em repressão ou reabilitação. É melhor criar emprego, que subsidiar o desemprego. Senhores presidentes das Câmaras, senhora Ministra da Educação, senhora Ministra da Cultura: o olhar constrói-se vendo, mas também fazendo. A participação na vida pública deve ser feita nas eleições mas também no dia a dia. Vendo, ouvindo, pensando, fazendo, discutindo. Criando contextos onde os valores de solidariedade e de cooperação possam frutificar. Onde horizontes de esperança se desenhem, sobretudo onde esta escasseie. E, não esqueçamos que parte importante da “massa” de hoje são os símbolos com os quais nos contamos estórias do presente e do passado, refiram-se estas ao que nos acontece ou ao que imaginamos. É preciso pôr as mãos na massa.

(publicado no Expresso de sábado, dia 10)
 
José Carlos Abrantes | 8:44 da manhã |


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