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sábado, setembro 20, 2008
IMAGENS DE TELEVISÃO A LER
Ó vizinha, a como é que estão a pagar hoje os nossos pecados?
Eduardo Cintra Torres

(..) Os mass media industrializaram a vida privada. Há dois séculos que "celebridades" e "conhecidos" ganham dinheiro esmiuçando vidas privadas e íntimas, suas e alheias, em livros, adaptações em filme e revistas cor-de-rosa. Os conhecidos vendem-se, e aos pais, amigos, inimigos, colegas e até aos filhos menores a troco de férias no Brasil, de dinheiro, mobília da sala, do que for.s mass media industrializaram a vida privada. Há dois séculos que "celebridades" e "conhecidos" ganham dinheiro esmiuçando vidas privadas e íntimas, suas e alheias, em livros, adaptações em filme e revistas cor-de-rosa. Os conhecidos vendem-se, e aos pais, amigos, inimigos, colegas e até aos filhos menores a troco de férias no Brasil, de dinheiro, mobília da sala, do que for. As elites sociais, políticas e jornalísticas - novas guardiãs da moral - aceitam tudo isso sem piscar os olhos, ou arregalando-os gulosamente.(...)

(..) Que o Momento da Verdade seja um jogo industrializado com regras suspeitas torna-se irrelevante pois enquanto mercadoria ideológica, moral, cultural, é mais um mito, uma história partilhada, ficção feita com pessoas reais. No ecrã, as pessoas de Gulpilhares ou Senhora-a-Branca deixam de ser reais no sentido em que a máquina industrial-cultural as transforma em exemplos bons ou maus com que os espectadores se vão comparar e confrontar em relação aos seus próprios valores morais de grupo e às suas práticas individuais. Mas, quando saem do ecrã, voltam a ser de carne e osso: o poder da TV ainda é grande e alguns concorrentes não avaliam que dificilmente sairão destes desafios faustianos da contemporaneidade sem se machucarem. Como podem pensar que o seu mundo real quotidiano ficará igual ao saber-se que bateram na mulher, que por dinheiro aviavam dois gays, ou já traíram 15 vezes a mulher? O programa da SIC anuncia que "dizer a verdade compensa" - não se refere às relações sociais e emocionais habituais mas à compensação em euros.
Entretanto, o produtor e o operador fazem render o peixe: lançam as granadas sobre os concorrentes e no dia seguinte ainda os massacram com novo interrogatório moralista, desta vez sem polígrafo, a cargo da inquisidora Rita Ferro Rodrigues, e com comentários de coscuvilheiros sociais "consagrados" pelos próprios media (Cláudio Ramos, Luísa Castel Branco, Gonçalo Câmara Pereira). A indústria não pára. O produto pegou na audiência. Os pecados da Vanessa Cabeleireira valem dinheiro e revelam em público o estado da moral privada.


in Público
 
José Carlos Abrantes | 8:27 da manhã |


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