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segunda-feira, dezembro 12, 2005
PROVEDORIAS

Quanto sabes, tanto vales

Dar informação pertinente aos leitores é um imperativo do jornalismo

“Venho por este meio manifestar o meu desagrado por o DN ter no seu elenco de colunistas um dos mandatários da candidatura presidencial de Mário Soares, que não se inibe em usar essa tribuna para fins claramente eleitoralistas. Refiro-me obviamente a Joana Amaral Dias. Esse facto já por si estranho é ainda agravado pela falta de menção das funções actualmente desempenhadas por Joana Amaral Dias. (..) ao omitir essa informação aos leitores está-se a privá-los de um elemento importante para a ponderação dos seus escritos. Seria bom que o DN tivesse uma postura semelhante à do jornal Público que identifica sem ambiguidades as actividades profissionais ou outras desempenhadas pelos seus articulistas.”
António José Teixeira, Director do DN, explicou a opção actual e referiu mudanças futuras: “Os leitores têm, obviamente, toda a legitimidade para gostar ou não gostar dos colunistas deste ou daquele jornal. Têm, inclusive, legitimidade para pensar que uma determinada personalidade não pode figurar entre os colunistas de um jornal por ter um determinado posicionamento político.
A colunista que merece as observações do leitor já era colunista do DN antes das eleições presidenciais e antes até desta direcção ter iniciado o seu trabalho. É público, notório e assumido que Joana Amaral Dias é mandatária para a juventude de um candidato a Presidente da República. Não é nessa qualidade que escreve no DN. E também não é por ter essa qualidade que deve ser limitada na sua escrita semanal. Outros colunistas do DN têm outros posicionamentos perante as eleições presidenciais e, livremente, têm escrito o que entendem. Também não é por isso que são colunistas do DN.
Admito que haverá vantagem em fornecer ao leitor uma identificação profissional dos colunistas. É uma situação que, brevemente, o DN irá alterar. Mas isso nada tem a ver com as preferências eleitorais de qualquer dos seus colunistas. Ou será que a identificação de um colunista que, publica e notoriamente, assume o estatuto de apoiante de um candidato é mais importante do que a de outro de, não a assumindo, vai dando conta das suas opiniões sobre a matéria? Teremos que exigir a identificação das preferências eleitorais de todos os colunistas?”

A legitimidade da escrita de Joana Amaral Dias, como de outros articulistas, não pode ser posta em causa. Algumas queixas de leitores vão no sentido de silenciar alguns dos cronistas ou de considerarem inadmissíveis as suas opiniões. Mas a democracia não se conjuga com silenciamentos mas sim no terreno dos argumentos e da sua partilha pública.
No respeitante à identificação profissional, os leitores vão ganhar com a medida anunciada por António José Teixeira. A opinião de um colunista ganha pertinência se soubermos que este é, por exemplo, especialista em sismologia ou sociólogo. No Le Monde de sábado temos crónicas assinadas por um cozinheiro (artigo sobre gastronomia), um historiador (sobre laicidade), um administrador de empresa (guerra do algodão). Um caso curioso é o de um artigo de um produtor de televisão, mas que escreve sobre questões ambientais. No fim do artigo, é aposta uma segunda qualidade: diz-se que o cronista é presidente da Fundação para a natureza e o homem, fundação que tem o seu nome. Num outro artigo, escrito por dois colaboradores, usa-se o mesmo critério de dupla identificação.
Em relação ao problema levantado pelo leitor, considero que ler a crónica da mandatária para a juventude da candidatura de Mário Soares com tal menção expressa, tem mais valor informativo do que a sua leitura sem que tal menção seja incluída. Aliás, o mesmo acontece com outros articulistas, como Vasco Graça Moura, Diogo Pires Aurélio, Pedro Lomba, Daniel Proença de Carvalho, José Medeiros Ferreira, João Cravinho, Jorge Coelho, sendo os primeiros membros da comissão política da candidatura de Cavaco Silva e os três últimos da comissão política de Mário Soares. É verdade que a posição da cronista como mandatária é pública e notória, bem como a dos outros cronistas. É verdade também que Joana Amaral Dias, como José Medeiros Ferreira, fizeram, simultaneamente, nas crónicas de 25 de Outubro, uma declaração de intenções, o que não foi o caso de outros cronistas. Joana Amaral Dias escreveu: “ Como se sabe sou mandatária para a juventude da candidatura de Mário Soares e integro a sua comissão política. Fica a nota, em nome da transparência.” inclusão de uma nota permanente em cada artigo é uma opção editorial que ultrapassa os cronistas na sua tomada de posição individual. Mas esta deveria existir. Porquê? Haverá sempre leitores distraídos. Sobretudo exigindo a uns, o que perdoam a outros. E, neste caso, há mais valias informativas, na junção dessas qualidades, de mandatários e/ou membros das comissões políticas: por um lado, a opinião sobre as eleições ganha a legitimidade própria que deriva do cargo ou posição. Por outro lado, dá aos leitores elementos para situarem essa opinião. Há ainda uma terceira vantagem na identificação: a de dar a reflectir sobre se a opinião publicada não estará, por vezes, demasiado centrada na vida política tradicional e pouco centrada nos problemas de sociedade. O exemplo citado do jornal francês mostra que seria benéfico para os leitores saberem, alguma ligação do articulista a qualquer domínio ou função que ajude a melhor situar as opiniões emitidas, mesmo em domínios não políticos. No caso das actuais eleições, se o cronista não escrever sobre as eleições ou sobre assunto afim, a indicação desse estatuto não terá razão de ser. Dar informação pertinente aos leitores é um imperativo do jornalismo e sua marca identitária. E não pode deixar de ser uma “reivindicação” dos provedores.

BLOCO NOTAS

Outros cronistas
Não parece semelhante o caso de qualquer outro cronista que escreva sobre as suas preferências eleitorais. É o caso de Vicente Jorge Silva, no DN de domingo, que revela a sua intenção de voto, ao mesmo que tempo que considera ser outro candidato o provável vencedor das eleições. Mas ninguém lhe pediu para revelar essa intenção de voto, nem parece haver alguma razão que aconselhe a inclusão de informação adicional sobre o seu posicionamento em relação às candidaturas.

Memória
Seria preciso dar mais atenção à memória do jornalismo: as instituições, a sua história, o viver quotidiano dos seus profissionais. A história oral também não é muito acarinhada em Portugal. E há muitos profissionais de jornalismo e fontes ou protagonistas que poderiam ser ouvidos para melhor se entender, por exemplo, o conflito do República, o encerramento do Século ou, pura e simplesmente, a história de um jornal como o Diário de Notícias.

Discordâncias
O leitor António Silva Carvalho reagiu a uma crónica recente “Quem decide o que é notícia” (7 de Novembro de 2005). Depois de referir “a circunstância de, em múltiplas ocasiões, eu ter tentado contribuir (geralmente em vão) com opiniões pessoais ou com uma ou outra informação (de interesse nacional mas porventura “inconvenientes”) para o chamado “espaço público”, o leitor considera que a imagem que tem dos media e dos jornalistas “não coincide com a imagem um tanto “idílica” que o Sr. Provedor agora adiantou.” O leitor considera que o jornalismo não admite críticas : “Nunca vi, aliás, nenhuma crítica, por mais pertinente e justa ela fosse, ser assumida / admitida / reconhecida como válida pelo jornalista / órgão em causa. Considera que muitas vezes os critérios internos que defendi para a elaboração das notícias, , o que aconteceu foi que os n/ noticiários, anteriormente censurados a partir de uma entidade externa (e "fascista"), passaram a espelhar, quer os preconceitos ideológicos dos jornalistas (exemplo máximo: o DN durante o PREC), quer todo o lixo que é suposto vender melhor. Em terceiro lugar Foram os próprios jornalistas quem subverteu as regras de ouro da profissão, é bom não esquecer isso! E os controlos de que o Sr. fala, não são mais que controles teóricos, de reduzida ou nula eficácia na prática.” O leitor termina dizendo: “Oxalá esta mensagem seja, ao menos, lida até ao fim. Apesar da sua quase garantida inutilidade.” Não só foi lida, como foi dada ao conhecimento dos leitores, embora parcialmente. Pena que fosse tão longa, como, aliás, o próprio leitor lastima.


Escreva
Escreva sobre a informação do DN para provedor2005@dn.pt
Para outros assuntos : dnot@dn.pt

(texto de 2a feira, 12, no DN)
 
José Carlos Abrantes | 8:49 da manhã |


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