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sexta-feira, junho 09, 2006
ECRÃS EM MUDANÇA
Tânia Morais Soares e Maria Emília Brederode Santos faciltaram-me textos sobre o livro que apresentaram na Feira do Livro, em conjunto com Paquete de Oliveira. Envolvido na apresentação, esqueci, desta vez, as fotos habituais.

Eis o texto de Maria Emília Brederode Santos:

"ABRANTES, J.C. (coord.), Écrans em Mudança – Dos Jovens na Internet ao Provedor da Televisão,Lxª, Livros Horizonte, Col. Media e Jornalismo, 2006.

Apesar de as investigações relatadas nos dois primeiros capítulos deste livro (de Jacques Piette, coordenador da investigação sobre “os jovens e a internet”, quer no Canadá quer a nível internacional, e de J.C. Abrantes, coordenador em Portugal) terem já meia dúzia de anos e incidirem sobre um meio em expansão aceleradíssima - a Internet – este é um livro extremamente actual que vai ao encontro de questões que estão hoje a ser intensamente debatidas na sociedade portuguesa :

Como explicar e ultrapassar as dificuldades e deficiências da escola portuguesa ? Será a escola portuguesa uma escola “transbordante”, com excesso de tarefas e de missões e que, por isso, acaba por não cumprir a sua função essencial de transmissão de conhecimentos ? Ou, pelo contrário, será uma escola “minimalista”, demasiado centrada nos saberes académicos e que esquece as aprendizagens fundamentais da vida , o aprender a ser, a criar e a viver com os outros ?

Ora os resultados da investigação portuguesa sobre o uso das NTIC e da internet revelam que a escola cumpre melhor o seu papel educativo no que respeita ao acesso às NTIC do que outras instituições com um papel educativo como por exemplo as famílias. Mas com limitações : acesso sim, mas não regular; pouca utilização como recurso pedagógico, utilização sobretudo em espaços não lectivos (sala de informática, centro de recursos, etc.) com pouco enquadramento docente e portanto incluindo “chats” e jogos – o que no Canadá seria impossível (situação que é aliás criticada pelos investigadores canadianos que a consideram “uma excessiva domesticação pedagógica da internet”).

Em Portugal poderá existir, pelo contrário, uma excessiva liberdade no uso da internet ?
O que é certo é que mais uma vez se fala nos perigos deste novo meio de comunicação e mais uma vez se apela à Educação para os Media que se atribui, claro, à escola ! O capítulo II incide justamente sobre a “educação dos públicos”, abrindo com um historial de Jacques Gonnet que regista as várias tendências existentes para defender uma abordagem pela produção a levar a cabo pela escola. Ora esta “educação mediática” poderia ser realizada pelos media, especialmente pela tv se esta assumisse a sua função educativa, coisa que de modo algum acontece, como lamenta Marçal Grilo no capítulo “Televisão : educação ou deseducação?”

Geneviève Guicheney, provedora de programas da France Télévision, relata-nos a sua experiência n o Capítulo III deste livro. Fica-nos a reflexão :a criação recente em Portugal da figura do provedor do telespectador na RTP poderá ser uma porta de entrada para a tv começar a fazer educação para os media ?"Maria Emília Brederode Santos


E o de Tânia Morais Soares.

Apresentação Pública do Livro: Abrantes, José Carlos (Org.), Ecrãs em Mudança, Lisboa, Livros Horizonte/CIMJ, 2006.

6 de Junho de 2006, Feira do Livro de Lisboa.

Comunicação de Tânia de Morais Soares – Investigadora do ISCTE e do CIMDE

Gostaria de começar por agradecer o amável convite de José Carlos Abrantes, para participar na apresentação pública do seu livro.

Queria também cumprimentar os meus ilustres colegas de mesa (Maria Emília Brederode Santos e José Manuel Paquete de Oliveira), bem como a editora Livros Horizonte e o CIMJ, pelo excelente trabalho que nos dão agora a oportunidade de conhecer.

Sobre este livro haveria certamente muito a dizer, suscitou-me imensas reflexões e cruzamentos interessantes com outras problemáticas que tenho vindo a estudar, mas o tempo escasseia e vou tentar salientar apenas alguns aspectos fundamentais. Embora o livro cruze três grandes objectos de estudo da actualidade: A Televisão, a Internet e a Educação, vou centrar-me na vertente associada à Internet.

Sobre a temática que atribui o título ao Livro, ou seja a dos Ecrãs, é talvez interessante verificar que o próprio dispositivo veio alterar profundamente uma espécie de “ergonomia social” desde a difusão da televisão em larga escala, nomeadamente, no âmbito do registo da convivialidade, ao ponto de ser apelidada de “lareira electrónica” enquanto centralizadora e agregadora das relações sociais e familiares. Curioso é ainda o facto de o Ecrã de computador ser feito à imagem e semelhança do Ecrã de televisão embora, à partida, destinado a fins essencialmente opostos: um para utilização essencialmente colectiva embora domiciliária, outro para utilização individual; um destinado à comunicação de massas, outro à produção de informação técnico-profissional restrita a grupos específicos; um essencialmente do âmbito da esfera pública, outro da esfera privada; um orientado para os conteúdos audiovisuais, outro para os conteúdos escritos e para a linguagem matemática; etc.

Até há bem pouco tempo, estas e outras distinções faziam todo o sentido e tendiam a afastar a natureza destes dois tipos de dispositivos de comunicação. No contexto actual, estamos precisamente a assistir ao desenvolvimento da dita convergência tecnológica que levanta um vasto conjunto de questionamentos, nomeadamente, sobre a eficácia comunicativa de uma futura e plena integração dos conteúdos audiovisuais na Internet. O modelo de difusão da televisão tradicional continua a demonstrar níveis de eficácia comunicativa e de intervenção social sem paralelo. Daí, podermos questionar, porquê investir seriamente na promoção do online se a televisão permanece o meio mais performativo do tempo presente, o mais poderoso de todos os mediadores sociais? Porquê apostar num modelo electrónico de televisão se o modelo herteziano mantém a liderança, mesmo face ao cabo? Porquê transferir para a Internet a difusão de conteúdos audiovisuais? Será que o futuro da televisão está na Internet ou o futuro da Internet está na Televisão? Estaremos a assistir ao fim da Televisão, pelo menos nos moldes em que a conhecemos? As questões são inumeráveis e as respostas são tão efémeras quanto a própria inovação tecnológica.

Concretamente a respeito do conteúdo do livro em causa, devo admitir que tenho trabalhado muitas das problemáticas em foco, embora não na perspectiva dos jovens que me parece verdadeiramente interessante.

Com efeito, inúmeros estudos têm dado a conhecer que os utilizadores da Internet possuem um perfil bastante diferenciado daquele que é o perfil da população portuguesa em geral. As características sociográficas do público online são tendencialmente dissemelhantes das da audiência dos media tradicionais, o que se acentua no que respeita à heterogeneidade da audiência televisiva, aproximando-se mais de uma maior segmentação associada aos públicos da imprensa escrita.

Porém, aquilo que parece distinguir mais profundamente os públicos da Internet é precisamente a variável idade. A diferenciação geracional foi, a meu ver, bem retratada por Dominique Wolton, quando associa a Internet à aventura cultural de uma geração. Citando este autor, trata-se de “uma geração que nasceu com a televisão e que quer quebrar laços com esse medium para se distinguir das gerações precedentes. Uma geração a quem agrada a vertigem da velocidade e a diluição das distâncias”.

Ora o que este livro faz é então dar a conhecer as representações e a praxis desse grupo predominante na estrutura da audiência da Internet, e passo a citar: “Ao abordar a questão dos públicos dos media, creio também ser oportuno falar nos jovens, que, afinal de contas, representam o futuro desses públicos, bem como da Internet, que, para eles, representa o futuro dos media”.

Entre as diversas tendências apuradas neste estudo, existem algumas que não quero deixar de salientar:

Embora este grupo de investigadores não se queiram centrar na questão da problemática dos efeitos, colocam em evidência algumas questões de extrema importância e actualidade e que se encontram no cerne do debate teórico, nomeadamente:

1. A questão do livre acesso versus o controlo do acesso a alguns dos conteúdos da Rede;

«Trata-se de um domínio difícil para as escolas dados os riscos da navegação livre, contacto fácil com conteúdos pornográficos, por exemplo, ou a prática do chat como forma de encontros directos».

2. A questão da credibilidade das fontes de informação que circulam na Rede;

«os jovens confiam na informação que a Internet contém. Porém, acabam por hierarquizar os graus de confiança atribuindo quase sempre maior credibilidade a sites oficiais ou institucionais».

3. A relativa à autonomia ou independência do utilizador na confecção do seu próprio consumo de informação (alusão aos self-media, à interactividade e à pro-actividade);

«O atractivo da Internet – o que a distingue dos média tradicionais, em que os “programas são impostos” sem interacção possível – é a possibilidade que oferece a cada um de agir sozinho e orientar, ao seu próprio ritmo, o modo de consulta que deseja».

4. Os efeitos sobre os restantes consumos culturais: não só de media mas de cultura em geral;

«O que os jovens abandonam em favor da Internet é o que Mariet designa por “televisão tapeçaria”, a televisão que viam quando não tinham mais nada que fazer, a que servia para ajudar a passar o tempo”.
Consideram que existe sobretudo uma relação de complementaridade entre a Internet e os media “tradicionais”. Alguns chegam a admitir uma integração, mesmo uma fusão de todos os media, se bem que a configuração desse “megamedia” permaneça, aos seus olhos, bastante vaga».

5. Os efeitos nas sociabilidades e na socialização (dependência versus autonomia do sujeito);

«A prática é individual, não é solitária. As conversas sobre a Internet ocorrem entre pares. As utilizações excessivas constituem uma excepção; o efeito de dependência é mínimo. São de facto os jovens quem se apropria da Internet e não é a Internet que se apodera dos jovens».

6. O futuro da integração tecnológica na vertente pedagógica e nos métodos de ensino convencionais;

«Os jovens estão convencidos de que uma grande parte da sua aquisição do saber pode passar pela Internet, tanto na escola como fora dela. Em contrapartida, a maioria afirma que a Internet não pode substituir a escola na sua estrutura clássica (aula, professor e quadro): para eles, a escola é uma ocasião de socialização que a virtualidade da Net não pode substituir».

7. A questão da construção da identidade cultural e nacional na rede (A língua enquanto referência identitária);

«Ao navegar na Internet, não se sentem de maneira nenhuma “estrangeiros” num ambiente alheio à sua cultura. Os jovens não fazem distinções quanto à origem nacional dos sítios e dos recursos na Net. Também não se referem ao conceito, abstracto para eles, da francofonia; o que lhes importa é a língua em que a usam».

8. A questão da evolução ortográfica e gramatical do discurso escrito e oral das futuras gerações;

«Os adultos mostram-se preocupados com a qualidade do francês que os jovens utilizam, mas para estes, o “francês da Net” é uma transcrição, uma transposição que tem de ser rápida, cómoda e eficaz – é de certo modo a estenografia da Net – e os jovens fazem claramente a distinção entre esta utilização específica do “francês de chat”, o francês escrito convencional e a língua falada».

9. A questão da cultura do audiovisual tender a suplantar a cultura literária;

«A pesquisa tradicional nas bibliotecas parece estar irreversivelmente condenada, não resiste à comparação com a rapidez, a comodidade e a eficiência da pesquisa na Internet.
Consideram que a informação contida nos livros é “antiga”. Para eles, a informação que circula na Net é mais recente por ser constantemente actualizada».

10. O futuro do confronto ou da comunhão de interesses geracionais;

«Os pais, depois de tomada a decisão de aceitar uma ligação em casa, quase não intervêm e exercem muito pouco controle sobre a forma como os filhos utilizam a Internet. Na maioria dos casos, as conversas sobre a Internet ocorrem entre pares e em detrimento das relações “inter-geracionais».

Concretamente no que respeita ao caso português é fundamental a conclusão de José Carlos Abrantes: «a escola representa um local de forte democratização para a Internet em Portugal (…) Paradoxalmente, a escola tem, em geral, uma abordagem fraca, sem profundidade, da Internet». Reflectida na desilusão um aluno português: «os seus professores raramente apelam ao uso da rede como recurso pedagógico, o que a seu ver é incorrecto, dado que “poderia ser uma coisa muito interessante”».

Mas existem duas conclusões que me parecem essenciais e com as quais gostaria de terminar:

A primeira é a que se refere à hipótese segundo a qual «o crescimento de utilização da Internet no domicílio passe sobretudo pelos lares com jovens».

E para finalizar, a que afirma: «a Internet, apesar de ser considerada “revolucionária” do ponto de vista tecnológico, integra-se no quotidiano com facilidade e sem perturbações de maior. Os adolescentes vêem na Internet muito mais uma evolução do que uma revolução».

Esta e outras ideias lançam as bases para um amplo e interessante debate e fazem deste livro um ponto de partida importante e uma referência bibliográfica fundamental para aqueles que se interessam por estas temáticas. Por todos estes motivos que espero que agucem a curiosidade para a sua leitura, volto a cumprimentar José Carlos Abrantes pelo seu excelente trabalho."Tânia Morais Soares
 
José Carlos Abrantes | 12:49 da tarde |


1 Comments:


At 2:04 da manhã, Anonymous Tinê Soares

Oi,
li o txt acima e, apesar de não ser a minha área, vejo que é uma preocupação geral o empobrecimento da língua escrita pelos jovens na net - utilizam uma linguagem truncada (não necessariamente abreviada) que ás vezes mais me parece uma tatuagem, uma forma de afirmação social.
Acabo de indicar à uma mãe aflita, que não sabe o que fazer para estimular o filho a ler 'um livro' e, dessa forma, aprender a escrever - um portal que se apóia na linguagem visual para cativar os jovens e divulgar as obras literárias. Quem sabe?
[www.canaldolivro.com.br]