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quarta-feira, abril 11, 2007
As imagens são decisivas
José Carlos Abrantes
provedor@dn.pt

Uma fotografia de Spencer Platt foi notícia várias vezes nos últimos tempos: num carro descapotável, um grupo de jovens passeia num bairro de Beirute. Um dos jovens parece estar a fazer fotos num cenário de devastação, pois o local havia sido bombardeado minutos antes pela aviação israelita. Trata-se de uma imagem que arrebatou o prémio da World Press Photo, uma prestigiada distinção para os fotojornalistas. Mas a razão que levou os jornais a utilizarem-na novamente foi outra: a imagem, afinal, tinha um sentido muito diferente do que lhe fora atribuído.

"O descapotável desliza na paisagem surreal e fumegante, as mulheres têm aspecto de top model e o motorista parece sair de um anúncio de Hugo Boss. Turistas ricos a verem a desgraça alheia, metáfora do mundo contemporâneo?

Mas, segundo conta o Financial Times, a revista libanesa L'Agenda Culturel decidiu investigar quem eram as personagens desta fotografia e descobriu-as. E a narrativa que lemos na imagem cai por terra.

Era domingo. O condutor e duas das mulheres são irmãos, chamam-se Maroun e vivem numa rua próxima. Outra mulher é vizinha. Segundo explicaram à revista cultural, não estavam a fazer 'turismo de guerra' , como sugere a imagem, mas apenas a ver os estragos, para avisarem os parentes. As personagens dizem que a viatura foi fotografada de forma a parecer mais luxuosa. Trata-se de um mini-Cooper, que o condutor pediu emprestado à namorada para, acompanhado pelas irmãs, constatar se havia estragos na sua casa. As testemunhas afirmam ser de classe média."

Este texto do jornalista do DN Luís Naves explica como a atribuição de um sentido definitivo a uma imagem é uma tarefa muito delicada e, quase sempre, vazia de sentido. Por natureza, as imagens são, segundo quem as lê, coisas diferentes. A peça de Luís Naves tem também um detalhe muito importante na versão da Rede: tem autoria repartida entre o jornalista e o autor da imagem, Spcencer Platt, prática que deveria ser obrigatória e, infelizmente, não é. Esta foi uma das fotografias de relevo nestas últimas semanas.

Na imprensa escrita, o papel da imagem é decisivo. Não só as imagens são numerosas como também são escolhidas a dedo, (quase...) sempre, de formas profissional e muito cuidadosa. Mesmo que não tenha legenda, o que é raro, uma imagem de imprensa nunca vem "pura". Ela tem um enquadramento, ocupa uma determinada posição face ao texto, é mais ou menos destacada dentro da página em que a colocam. Hoje, as edições em linha permitem publicar fotografias e vídeos outrora impossíveis de utilizar pelos jornais.

A edição das imagens tem uma longa tradição que passa pela montagem de cinema, pela fotografia como disciplina artística e jornalística, pela aplicação das técnicas digitais. Dificilmente nos lembramos que o cinema, nos inícios do século XX, alterou as relações entre as imagens, e entre as imagens e o texto escrito. Mais tarde, nos anos 20, começou a ver-se como os sons (palavras, ruídos e música) alteram o sentido de uma imagem. Mais tarde os investigadores e pessoas do terreno começaram a perceber que o sentido não está apenas nas imagens. De facto, as leituras que o público faz são decisivas. Não podemos por isso dizer em absoluto: esta imagem significa isto.

Na imprensa, esta dimensão é particularmente importante. Podemos ilustrá-lo com exemplos recentes do Diário de Notícias. Uma fotografia de praia ilustra, assim, uma notícia sobre o Plano Estratégico de Turismo (DN, 5 de Abril). Uma imagem de um glóbulo de sangue acompanha o artigo "A globalização ajuda a propagar doenças" (4 de Abril). São dois exemplos em que a imagem e o texto escrito funcionam em conjunto, como é regra na imprensa. As imagens, de sentidos múltiplos, tornam-se mais precisas pelo texto da notícia ou pela simples legenda. Quando David Luiz, Shakira, o cardeal Saraiva Martins, Sócrates aparecem, é a imagem que adquire a primazia na leitura (todos na primeira página do DN de 5 de Abril). Estas quatro personalidades "cabem" nas dimensões do jornal (30 cm x 39 cm), que acolhe ainda uma imagem do TGV, batendo o recorde de velocidade sobre carris. Como pretender que as imagens são como a realidade, quando a realidade não cabe nessas dimensões? Conta-se que Picasso, interrogado por quem lhe contestava "deformações", terá pedido, ao contestatário, a fotografia da mulher. "Não sabia que a sua mulher é tão pequena!", terá dito face à fotografia, tipo passe. Isto apesar da aura "realista" que as fotografias de identificação possuem.

As imagens sugerem-nos as coisas que representam. Porém, o seu significado resulta de uma negociação: uma parte das imagens é feita pela pessoa que olha as imagens, pelas suas representações, pela sua cultura, pelos seus preconceitos. Por isso devemos ser prudentes quando pensamos que uma imagem tem um significado universal. Aliás, muitas vezes, na leitura das imagens a norma... são os desvios.

Bloco de notas

A página do provedor

O fim próximo do meu mandato exige um tipo diferente de crónicas. Está-se a encerrar um período. E se, por um lado, admito um certo sentimento de alívio, pela finalização de um mandato difícil, sobretudo pela instabilidade das equipas de direcção (três anos, 4 directores e 3 directores interinos), por outro, torna-se mais presente a sensação de privilégio que tenho tido por ter exercido a função de provedor de leitores no DN.

Nas crónicas que escrevi nestes três anos houve sempre imagens. Algumas foram memoráveis. Dou o exemplo da crónica de 24 de Maio de 2004, intitulada “Imagens falsas, leitores atentos”. Relatava um caso ocorrido no jornal inglês Daily Mirror pois o DN, durante o meu mandato, fez jus ao estatuto de jornal de referência e, felizmente, não veiculou nem imagens falsas nem plágios. Essa crónica foi ilustrada pelo Francisco Lança e pela Joana Imaginário, como todas as outras e dava uma forma visual particularmente feliz às ideias da crónica. Mas também houve ilustrações menos felizes. Algumas vezes os temas tratados não eram reflectidos nas imagens. Houve mesmo tensões entre alguns textos escritos pelo provedor e as imagens publicadas, por razões que não pude apurar (Março e Abril de 2005, por exemplo). Os problemas foram sobretudo de falta de adequação das imagens ao texto, mais do que da qualidade dos ilustradores, que sempre apreciei. Isto quer dizer que o sistema actual de ilustração deveria ser revisto para o novo provedor. De facto, não faz sentido que o provedor escreva um texto, cujo conteúdo decide da primeira à última vírgula (com a sempre apreciada intervenção do fecho, nomeadamente a de Joaquim Camacho), mas não tenha qualquer palavra a dar sobre a imagem que ocupa uma grande parte da página. De facto, a imagem é-me dada a conhecer apenas no dia da publicação. Entrar em acordo sobre uma imagem é certamente mais difícil do que publicar um texto sem mudar uma vírgula. Mas, apesar de ser um assunto difícil, há soluções simples que podem dar maior qualidade à pagina e maiores benefícios para o leitor. Entre elas, estão o recurso a fotografias ou fac-similes, por vezes a solução mais natural e eficaz, a articulação com os ilustradores para alguns trabalhos que fiquem em carteira, criar um dicionário de termos - pois as ilustrações têm muitas vezes palavras importantes - que possam reflectir o trabalho de provedor.

Escreva

Escreva sobre a informação do DN para provedor@dn.pt: “A principal missão do provedor dos leitores consiste em atender as reclamações, dúvidas e sugestões dos leitores e em proceder à análise regular do jornal, formulando críticas e recomendações. O provedor exercerá, simultaneamente, de uma forma genérica, a crítica do funcionamento e do discurso dos media.” Do Estatuto do Provedor dos Leitores do DN

No DN de 10/04
 
José Carlos Abrantes | 8:07 da manhã |


1 Comments:


At 2:48 da tarde, Anonymous Mário

A legenda que acompanha a fotografia faz aquilo que é suposto, diz-nos o contexto em que a fotografia foi tirada.

"Young Lebanese drive down a street in Haret Hreik, a bombed neighborhood in southern Beirut, Lebanon, on August 15. For nearly five weeks Israel had been targeting that part of the city and towns across southern Lebanon in a campaign against Hezbollah militants. As a ceasefire gradually came into force from August 14, thousands of Lebanese began to return to their homes. According to the Lebanese government, 15,000 homes and 900 commercial concerns were damaged."

Não é feito nenhum juizo de valor em relação às personagens. O facto de as raparigas serem jovens, atractivas e naquele momento não parecerem mostrar uma emoção marcada (un júizo de valor altamente subjectivo e que diz mais de quem assim pensa do que da fotografia própriamente dita) levou a que a fotografia fosse falada muito para além do seu contexto noticioso.
É demasiado fácil uma imagem comunicar muito mais do que o que lá está, cada um vê o que quer ver e aos jornalistas é necessário terem olhos de lince para detectar possíveis falácias nas imagens.