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quinta-feira, março 20, 2003
IMAGENS DE HOJE

"Na batalha da comunicação que acompanha a guerra no Iraque, o Exército americano deixou-se surpreender por uma consequência inesperada de uma fotografia que causou um psicodrama militar. A foto tirada por um fotógrafo francês, da AFP, Eric Feferberg, integrado desde há várias semanas num batalhão de marines americanos no deserto do Kuwait, revelava pormenores dos planos da intervenção."
Numa peça do Público de hoje, de Ana Navarro Pedro, correspondente em Paris, dá-se conta da força representativa da imagem e também da sua força transformadora que anotei recentemente. A fotografia foi feita num reunião de oficiais e mostrava os oficiais ao lado de um mapa de uma região fronteiriça entre o Iraque e o Koweit.

Prossegue Ana Navarro Pedro: "Uma foto pouco original que, depois de visionada, recebe a aprovação oficial do coronel para transmissão à AFP, e que seria posta à venda no mundo inteiro.
Mas, domingo de manhã, há um momento de pânico no estado-maior americano. No Kuwait, o fotógrafo é convocado pelos oficiais da unidade de Marines. "O coronel quis ver de novo a foto, e diz-me, muito aborrecido: 'Há um problema sério'", contou ontem, na rádio francesa RTL, Eric Feferberg, prosseguindo: "Parece que o [diário americano] 'New York Times' tinha publicado a minha foto e os informáticos do jornal deram-se conta de que podiam fazer um 'zoom' no mapa e que todos os pormenores da invasão americana do Iraque apareciam com uma nitidez espantosa".
O fotógrafo e os oficiais procedem a um aumento da fotografia no computador de Eric Feferberg e, com efeito, vêem aparecer claramente os pontos de passagem na fronteira, os caminhos a utilizar e as cidades visadas pela aquela unidade."

Ou seja, a fotografia representa a realidade com muito detalhe e, ao mesmo tempo, revela informações que deram (ou poderiam dar) origem a movimentos estrátégicos, movimentos concretos, do lado iraquiano, transformando (ou podendo transformar) assim a própria realidade, o próprio campo de batalha. As relações da imagem com a guerra, da imagem com os militares, da imagem com a tecnologia, da imagem com a liberdade de informação (e seus limites evidentes) são aspectos de uma relação muito complexa das imagens com a nossa vida quotidiana.

AS IMAGENS E OS LIVROS

Para vermos a precisão descritiva da fotografia podemos socorrer-nos do depoimento de Samuel Morse, que, em 1839, depois de ter encontrado Daguerre em Paris e visto uma célebre fotografia deste (Boulevard du Temple), escreve as suas impressões à família, que ficara nos EUA. Diz Morse que com a ajuda de uma lente de aumento ( a tecnologia disponível na época…) consegue ver um cartaz que está na parede de um prédio, ficando assim cada letra, invisível a olho nu, completamente visível. E, continua, afirmando que a mesma visibilidade se revela nas brechas e fissuras das paredes. "Nulle peinture ou gravure ne peut prétendre s’en approcher..", afirma.

Paradoxo: apesar desta objectividade essencial esta imagem r retira à representação fotográfica uma das características primeiras do mundo físico, a do movimento. Nesse conhecido daguerreótipo tudo fica registado, excepto o buliçoso movimento das carruagens e pessoas que o longo tempo de exposição, então necessário, não deixa registar. O único sinal humano é o de um homem que engraxa os sapatos, mesmo assim não fielmente reproduzido, pois as partes do corpo que se movem não foram também registadas com perfeição. A técnica, fonte de objectividade, reproduz, por um lado, com extrema fidelidade, por outro não consegue captar o movimento, característica essencial da vida humana. Morse explica que os objectos em movimento não deixam qualquer traço. (Delpire e Frizot, I, 1989: 12)

É frequentemente assim com a imagem: há aspectos que são idênticos à realidade, outros que dela se afastam. Seja pela técnica, seja pela codificação, seja pela linguagem utilizada. Poder-se-ia dizer: há neste caso existe uma limitação técnica (o elevado tempo de pose) que determina a transformação de uma realidade em movimento numa imagem sem vida, sem o cheiro da vida citadina que os homens criaram. É verdade mas as limitações e as potencialidades técnicas impregnam as representações. Mas esta imagem mostra pois este carácter ambíguo das imagens, de todas as imagens que, por mais fiéis que sejam no retrato da realidade, desta sempre se afastam pois cada imagem é uma construção (técnica, estética, por exemplo).


DELPIRE, R. e FRIZOT, M., Histoire de voir: De l'invention à l'art photographique (1839-1880), Paris, Centre National de Photographie, 1989.
Ver também o texto de

Abrantes, J.C., Breves contributos para uma ecologia da imagem, 1999 na Biblioteca On-line de Ciências da Comunicação, procurando depois por autor ou por título.
 
José Carlos Abrantes | 12:33 da tarde |


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