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sexta-feira, fevereiro 13, 2004
IMAGEM Os modos de representação

A construção do olhar está pois ligada aos modos de representação. A relação de quem vê com a imagem atinge níveis mais complexos de compreensão quando, quem vê, pensa as imagens como representaçao e não como um véu transparente que nos mostra o mundo tal qual ele é. A imagem é sempre uma construção e, ter consciência dessa construção, pode representar uma mais valia individual e social.

As imagens arrastam em nós ilusões. De facto, esquecemos quase sempre que a imagem não é a realidade. Ao contrário das palavras as imagens têm algumas propriedades das coisas. Nas imagens podemos ver cores e formas que existem no objecto. A palavra tem uma relação arbitrária, convencional com a realidade. Urge por isso compreender que a imagem, mesmo se muito fiel à realidade, consubstancia um olhar particular sobre o objecto representado. Segundo Gombrich a imagem contém um lado espelho e um lado mapa. O lado espelho é o lado da analogia, da mimesis. O lado mapa é o lado das convenções, é o lado das linguagens que a representação em imagem sempre utiliza, em maior ou menor grau. É tarefa de quem educa dar a conhecer estes dois aspectos que podem ser claramente vistos numa fotografia datada de 1839. Numa vista do Boulevard du Temple tomada por Daguerre , tudo se pode ver com uma tal nitidez que espanta Samuel Morse, então em Paris. Tudo menos o movimento (Delpire e Frizot, I, 1989:12). De facto, só o que não mexe tem registo. Nenhuma pintura ou gravura pode pretender aproximar-se a este resultado, escreve Morse à família, pretendendo assim dar a ideia da objectividade essencial da fotografia. "

A originalidade da fotografia em relação à pintura reside, pois, na sua objectividade essencial, tanto assim que se chama, precisamente, "objectiva"ao conjunto de lentes que constituem o olho fotográfico substituto do olho humano. Pela primeira vez, entre o objecto inicial e a sua representação,apenas se interpõe um outro objecto. Pela primeira vez também, uma imagem do mundo exterior forma-se automaticamente, sem a intervenção criadora do homem, segundo um determinismo rigoroso. A personalidade do fotógrafo só entra em jogo pela escolha, a orientação, a pedadagogia do fenómeno e por muito visível que esteja na obra final, não figura nela na mesma qualidade que a do pintor" (Bazin, 1992:17).

Paradoxo: apesar desta objectividade essencial a imagem referida retira à representação fotográfica uma das características primeiras do mundo físico, a do movimento. Nesse conhecido daguerreótipo tudo fica registado, excepto o buliçoso movimento das carruagens e pessoas que o longo tempo de exposição não deixa registar. O único sinal humano é o homem que engraxa os sapatos, mesmo assim não fielmente reproduzido, pois as partes do corpo que se movem não foram também registadas com perfeição. A técnica, fonte de objectividade, reproduz, por um lado, com extrema fidelidade, por outro não consegue captar o movimento, característica essencial da vida humana. Na carta de Morse este refere: "Nulle peinture ou gravure ne peut prétendre s'en approcher [...]; en parcourant une rue du regard, on pouvait noter la présence d'une pancarte lointaine sur laquelle l'oeil arrivait à peine à distinguer l'existence de lignes ou de lettres, ces signes tant trop menus pour qu'on puisse les lire à l'oeil nu. Grace à l'aide d'une lentille puissante, dirigée sur ce détail, chaque lettre devenait clairement et parfaitement lisible, et il en était de même pour les plus miniscules bréches ou fissures sur les murs du bâtiment, et sur les pavés de la rue." (Delpire e Frizot, I, 1989: 12). Morse explica depois que, pelo contrário, os objectos em movimento não deixam qualquer traço.

É assim com a imagem: há aspectos que são idênticos à realidade, outros que dela se afastam. Seja pela técnica, seja pela codificação, seja pela linguagem utilizada. Poder-se-ia dizer: mas neste caso existe uma limitação técnica (o elevado tempo de pose) que determina a transformação de uma realidade em movimento numa imagem sem vida, sem o cheiro da vida citadina que os homens criaram. É verdade mas as limitações e as potencialidades técnicas impregnam as representações. Uma imagem parece-se com a pessoa ou o objecto, mas dela se afasta pela concepção estética de quem a fabrica. O cheiro de uma pessoa não pode ser captado pela objectiva nem a dimensão de um objecto se encontra devidamente representada no tamanho de uma fotografia.

 
José Carlos Abrantes | 10:35 da tarde |


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